Códido Da Vinci- o filme (ou a tentativa)
Foi com esta ânsia de saber como seria recebido a adaptação em filme, realizado por Ron Howard, que esbocei o meu sorriso ao ler que o filme havia sido arrasado em Cannes, tendo inclusivé sido recebido com risos no momento dramático do filme. Ora, sendo eu preconceituoso quer a nível musical quer a nível da sétima arte, não hesitei em recusar o convite quando me foi proposto por grande parte de amigos meus, ir assistir à estreia do dito filme. Isto até porque, aceitasse eu tal convite, e não acompanharia a transmissão da meia-final do Festival Eurovisão, brilhantemente ganho pelos Lordi. O que obviamente fiz.
Acontece que no dia seguinte, tudo aquilo que leio na secção reacções ao filme nada mais são que desilusões e frustrações. Mau filme, fraco filme, pior filme para o jornal O Publico... Convencido que todos os meus colegas se haviam rendido à evidência do mau blockbuster, eis que me surpreendo quando me dizem que o filme é engraçadinho. E é aqui neste ponto que quero reflectir. Dizem-me eles que em Cannes são todos, e passo a citar, "uma cambada de pseudo-intelectuais", quando no fundo são gente que já viu dezenas de milhares de filmes, entre cinema europeu, asiático, de Hollywood. Aqueles que tomam sempre uma opinião de desconforto em relação à opinião do rebanho, são sempre tratados como meia dúzia de pessoas querem pautar pela diferença, ou são de esquerda, ou são intelectuais.
A minha questão é porque é que, tal como na música, as pessoas têm tendência a gostar das coisas más, filmes maus, más bandas? Será que se um qualquer filme minimamente decente europeu, fosse tão bem promovido como "O Código Da Vinci", este teria tanto sucesso e as pessoas gostariam tanto como fazem com a grande maioria de maus filmes que por cá estreiam? Não terão os chamados críticos, visto demasiados filmes bons para perceber que nem tudo aquilo que nos é dado numa bandeja, é comestível?